Tuesday, July 14, 2009
Tuesday, January 27, 2009
Monday, January 19, 2009
The meaning of life
Fazemos uma pausa e planamos levemente sobre o escorrer dos tempos passados, com aquela dose de melancolia necessária para nos recordar as emoções, e pensamos no que valeu a pena, no que não valeu, nos erros ou nas decisões acertadas, em tudo aquilo que no fundo, constituiu o nosso ser.
E depois, se recordados em almas próximas, acerca do confronto com a morte, tudo parece estranhamente amorfo, leve, ridiculamente pequeno perante tão poderoso afrontamento. E interrogámo-nos sobre o que realmente vale a pena.
Existem inúmeras visões filosóficas da vida. Eu prefiro a versão do orgulho. Nada de mal entendidos. Devemos chegar ao fim e orgulharmo-nos de quem somos, de quem fomos, dos locais onde estivemos, das pessoas que conhecemos, das imagens que vimos, das acções que realizamos, de tudo aquilo que a vida nos permitiu ser e sentir. E isso, por muito que nos custe a admitir, contrói-se todos os dias.
"I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again."
Benjamin Button, in "The Curious Case of Benjamin Button" (2009)
Saturday, December 13, 2008
Saturday, October 25, 2008
Reconhecimento
Sempre disse que para a mais ínfima das nossas atitudes, só nos sentimos bem se formos reconhecidos. A meritocracia tem destas coisas, que passam por aquela procura desmedida de reconhecimento, de nos pormos em bicos de pés e cabeça esticada e dizermos "Não conseguem ver que eu estou aqui, e sou bom naquilo que faço??"
Pois bem, acho que decidi finalmente pôr-me em bicos de pés. Não importa aonde, mas sim o quê, e com quem. Uma procura obcecada pelo pequeno espacinho no Universo que nos pertence. E tudo o resto, acredito eu, um romântico obcecado com valores de justiça e demais envolventes, virá por acréscimo. Porque essa coisa da felicidade conquista-se, procura-se, não vive à custa de conformidades ou presentes de Natal. Envolve sacrifício, sim, na sua justa medida, mas acima de tudo um gosto genuíno pelas nossas acções, por aquilo que fazemos e proporcionamos.
Haja coragem para tal, e claro está, alguém que o reconheça. Quanto mais não seja nós próprios.
Monday, August 25, 2008
"O" filme de animação

O filme evolui a partir de uma narrativa singular: as melhores características de um Ser humano são projectadas em torno do mais belo robô da história do Cinema (desculpas a RD-D2 e Number 5). A concepção do personagem WALL.E é um marco da Pixar, perita em dar vida a seres inanimados: o protagonista tem a magia de alterar e despertar o melhor em cada um, sejam eles personagens robôs, humanos e até mesmo espectadores. O condão da vida emana do seu pequenino corpo, que desbrava tudo para estar com a sua paixão, Eve.
A acção decorre daqui a sete séculos. WALL.E recolhe e comprime o lixo, deslocando-se na paisagem poluída de uma cidade à muito despovoada, apenas na companhia de Hall, a sua barata de estimação (parece incrível, mas até as baratas têm charme com a Pixar). Os olhos penetrantes do robô descobrem peculiaridades nos pequenos objectos, resquícios de vida que vai encontrando durante as suas limpezas. É interessante que a única forma de vida na Terra seja um robô: WALL.E está longe de ser um autómato no que diz respeito aos sentimentos, pois uma falha no seu sistema operativo levou-o a adquirir emoções dignas de um humano, principalmente o bichinho do amor.
O espaço e a cidade são detentores uma beleza invulgar e até a devastação é atraente: inesquecíveis os belíssimos arranha-céus compostos de lixo. Mas a infinita rotina de WALL.E é virada do avesso quando aparece uma sonda chamada Eve, cuja missão é encontrar sinais de vida na Terra, e a sua liberdade de deslocação permite ao realizador exprimir toda a beleza dos cenários. O pequeno robô fica sem expressão quando a vê. É amor à primeira vista, a ansiedade fá-lo sair dos eixos e a química robótica deixará os mais românticos a suspirar sobre este flirt. Os primeiros sinais de algo mais entre ambos surgem graças a pequenos mas eficazes sketches de humor.
Vale agora a pena dizer que os primeiros 20 minutos deste filme não contêm diálogos. São movidos por sons e imagens em detalhe de suster a respiração. A introdução de trechos musicais de «Hello, Dolly!» (1969), um filme que o robô vê e revê, tem uma importância tremenda na transição para outras situações: as suas canções são um elemento de união e harmonia em «WALL.E».
Na segunda metade, os criadores mudam radicalmente de cenário e de tom. A Axiom é o lar de Eve, uma gigantesca nave gerida por máquinas agarradas às suas funções que visam ao entretenimento buçal dos últimos sobreviventes do planeta Terra, que estão um cruzeiro que dura há 700 anos. Estes consumistas inveterados comunicam entre si através de ecrãs, vivem sobre sofás futuristas (o sindroma couch potato levado ao extremo), tudo sobre a alçada da corporação BnL, é como quem diz comprar/consumir XL. Neste local, adicionam-se ao enredo uma série de personagens suis generis que desenvolvem uma reviravolta nos eventos e nas temáticas que regem a narrativa.
Dois últimos destaques. O primeiro para o som, que tem um papel neste filme, sobretudo no primeiro trecho. Ben Burtt, figura maior das técnicas de som dos últimos 30 anos, concebeu um assombroso número de efeitos sonoros (um total de 2400) e criou ainda o padrão de voz para WALL.E e Eve. Burtt, recorde-se, foi o responsável pelos sons do icónico RD-D2 de «A Guerra das Estrelas». A segunda chamada de atenção é para a canção que encerra o filme: “Down to Earth” não podia ser mais adequada, uma vez que no meio de tanta eficácia técnica são os sentimentos down to earth que vêm ao de cima, marcando todos aqueles que se cruzam com este extraordinário filme.
«WALL.E» fascina tanto os mais novos, massajando as suas mentes com importantes conceitos para o futuro, como os adultos, apontando e satirizando o presente de muitos que decerto vivem o consumismo XL. É curioso tomar o pulso de uma criança após o visionamento deste trabalho brilhante: os mais jovens não são apenas espectadores que se vão deliciar com o amor entre dois personagens maravilhosos, eles estão perante uma previsão negativa do futuro, mas onde as máquinas apontam o caminho para o equilíbrio entre o Homem e a Terra, aprendendo uma lição de harmonia e espírito de entreajuda entre seres diferentes. As Crianças, a Ecologia e o Planeta merecem um filme assim."
Jorge Pinto www.cinema2000.pt
E já agora, fiquem lá com o trailer...
e aproveitem o lanço para uma espreitadela à curta metragem que precede o filme, de seu nome "Presto", que é de chorar a rir...
Sunday, July 27, 2008
Batman - The Dark Knight

Vá, as expectativas eram altas. Excessivamente altas, convenhamos, porque o 1.º lugar na lista do IMDB não deve ser coisa para arrebatar assim do pé para a mão, muito mais se a essa transcendência cinematográfica que foi “O Padrinho”. Mas no fim de contas, devo dizer, não me senti defraudado.
O filme é bom, muito bom. Não o melhor de sempre, como é óbvio, mas o melhor de sempre do género, isso parece-me evidente. Christopher Nolan tem mais uma direcção de grande engenho, pormenor e inteligência, na senda de óptimos trabalhos como já havia feito em “Memento”, “Insomnia”, “The Prestige” ou “Batman Begins”. Aliás, já tinha elogiado essa Gotham mais “negra” por aqui. Daí que o desafio fosse ainda maior, mas Nolan consegue transformar um filme de super-heróis em algo muito maior do que isso, bem distante das costumeiras aventuras de entretenimento do género, e conduz-nos através de uma surpreendente e rocambolesca viagem de dilemas morais e reflexões maniqueístas, meticulosa e bem estruturada, capaz de nos encostar às cordas durante toda a extensão do filme.
São também de grande qualidade as sequências de acção (a perseguição Batman-Joker é uma pérola) e as interpretações, principalmente a muito badalada de Heath Ledger, cuja personagem assume mesmo maior protagonismo que o Homem-morcego, relevando para segundo plano o também meritório trabalho de Christian Bale. Expressivo e refinado, Ledger consegue elevar este Joker a uma categoria de vilões nunca antes vista, sem sede de poder ou de dinheiro, mas simplesmente obcecada pela anarquia e pelo caos, e por isso tão aparentemente imparável ou inatingível. A nomeação para o Óscar está à partida garantida. Excelente também a transformação Harvey Dent/”Two-Face”, bem como a abordagem humanista de um Batman cada vez mais próximo da consciência das suas limitações.
Em suma, intenso, “negro” e bem complexo, este Batman – The Dark Knight vale mesmo a pena ver. Não será concerteza o melhor de sempre, mas eleva, sem dúvida, o conceito de filme de super-heróis a um nível nunca antes visto.




